11 de março de 2011

' CARAMBA, MAIS QUE SAUDADES DO MARIO COVAS !!! '

MARCUS ALCOFORADO 



Em pleno carnaval nos demos conta de que há dez anos o Brasil perdeu um dos maiores políticos da sua história contemporânea: Mário Covas. Seria exaustivo descrever a sua trajetória política, sempre a serviço do bem público e da democracia. Mas vamos registrar alguns traços de sua personalidade.

Covas foi um político que se destacou dos outros por uma razão aparentemente simples. Sabia dizer não quando isto era do interesse público. Da mesma maneira dizia sim, quando avaliava que o que estava sendo pleiteado não feria seus valores, entre os quais a probidade administrativa e o zelo com a coisa pública.

Comprometido com a democracia até a medula, Mário Covas fez história no Congresso Nacional. É histórico seu brilhante discurso contra a cassação do então deputado federal Márcio Moreira Alves, em 1968. O deputado não foi cassado, mas Covas, os democratas e o Parlamento brasileiro pagaram um preço alto, pois logo depois veio o AI-5. O Brasil ingressou num longo período de trevas.

Mário Covas era então o líder do MDB na Câmara e teve o seu mandato imediatamente cassado, logo após aquela sexta-feira 13 de dezembro de 1968. Mas em 1978, quando os ventos da democracia começaram a soprar mais forte no país, lá estava ele na primeira campanha de Fernando Henrique ao Senado, de quem foi, na prática, seu coordenador.

 O que dizer da sua participação nas diretas, na campanha de Tancredo Neves e na Constituição-Cidadã de 1988, onde muitas das conquistas sociais sacramentadas na nossa constituição se deveram à sua firmeza? Não há dúvida: neste momento, existiam dois pólos na Assembleia Constituinte: o “Centrão” e o pólo mais comprometido com as questões sociais, cujo líder foi Covas.

O “Espanhol”, era assim que seus amigos o chamavam, sempre foi um político de linha reta e sem dubiedade. Fundador do PSDB foi o principal fator de resistência para que os tucanos não entrassem na canoa furada do governo Collor. O impeachment do então presidente veio provar que a “teimosia” de Covas valeu a pena.

Poderíamos falar do quanto ele fez por São Paulo. Como governador, saneou  financeiramente o Estado, preparando assim as condições para o avanço que o Estado deu nos últimos 16 anos e para a hegemonia política que os tucanos conquistaram em São Paulo.
Mas vamos falar de outro traço de sua personalidade: sua coragem. Não apenas a coragem física demonstrada quando enfrentou de peito aberto a ação ensandecida de uma minoria de professores que o apedrejaram. Mas da sua coragem política que o levou a jamais baixar a cabeça aos poderosos de plantão.

É difícil falar dele sem se emocionar, quando nos lembramos da sua enorme luta contra o câncer que estava correndo a vida. Por três anos, nosso governador lutou com as forças que ainda tinha contra a doença que o vitimou. Sentia ele que ainda tinha muito a dar ao Estado, ao Brasil e ao nosso sofrido povo.

Mas um dia o câncer o derrotou e ele se foi. No próximo dia 12, o PSDB vai realizar um ato de homenagem ao grande homem e grande político que há dez anos nos deixou.

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