6 de maio de 2011

'Miyajima: um lugar tão belo e sagrado que é proibido morrer lá'

Miyajima é um paraíso com sotaque japonês. Segundo os próprios japoneses, uma das três mais belas paisagens do país e um território sagrado.
Qualquer que seja a definição, há uma dobradinha que faz da ilha de Miyajima tão especial: monumentos históricos e natureza exuberante. São inúmeros templos e santuários espalhados numa área de pouco mais de 30 km². As montanhas verdes ao fundo, os veadinhos e macaquinhos que vivem soltos por lá completam o cenário paradisíaco, que fica a 13 km de Hiroshima.
Em Miyajima, está o maior tori (portal erguido à frente de templos xintoístas) do Japão, com quase 16 metros de altura e 24 metros de largura. Detalhe: ele está encravado no mar. Quando a maré sobe, parece estar flutuando. Quando ela desce, dá para caminhar até ele. O portal guarda a entrada do santuário de Itsukushima.

Miyajima, construída há quase quinze séculos (595 d.C.), é considerada terra sagrada pelos japoneses. Até pouco tempo, havia até uma proibição inusitada para preservar a santidade do local: era proibido nascer ou morrer em Miyajima. Para evitar que isso acontecesse, mulheres grávidas e pessoas doentes eram rapidamente transportadas para o continente. Atualmente, não há esse tipo de "proibição", mas a tradição permanece: não existem maternidades ou cemitérios por lá. 
Miyajima foi destruída e reconstruída várias vezes. As casas que existem hoje têm mais de 800 anos. Resistiram às guerras, resistiram ao tempo, resistiram à bomba atômica, mesmo estando a apenas 10 km do local onde ela explodiu.
Com um mapa na mão - e cuidado para que os veadinhos não o comam -, o visitante se vira bem e pode escolher o próprio roteiro, caminhando livremente pela ilha, atravessando pontes bucólicas, andando pelas areias da praia na hora de baixa da maré e visitando o complexo de templos xintoístas e budistas. Quem planeja conhecer também os lugares mais distantes da ilha, bosques e colinas, pode optar por alugar uma bicicleta na saída da barca que faz a travessia da estação de trem de Miyajima até a ilha. Foi o que e
Explorar tudo exige uma dose de disposição física, chapéu e protetor solar, ainda mais se o visitante quiser visitar o Monte Misen,com 530 metros de altura, o ponto mais alto da ilha.

De lá se têm uma vista maravilhosa da ilha, de Hiroshima e ilhas vizinhas do mar Interior de Seto, chamado assim porque é uma pedaço do oceano que fica no meio de três ilhas. Para se chegar ao topo do monte, existe uma trilha para quem gosta de caminhar ou andar de bicicleta, também pode-se pegar um teleférico, cuja linha tem 1,7 km de extensão.
 A caminhada íngreme até o teleférico não é para fracos. A engraçada placa diz: a caminhada demora 10 minutos. 7, se você correr um pouquinho...
Na costa da ilha, está o Santuário de Itsukushima, considerado um dos mais belos lugares do mundo e Patrimônio Cultural Mundial da Unesco desde 1996. 

Acredita-se que o Santuário de Itsukushima tenha sido fundado em 593 D.C. Tornou-se o mais conhecido santuário do país durante o período Heian (entre 794 e 1185). Em 1168, um sacerdote xintoísta, Saeki Kagehiro, ampliou os edifícios, deixando com sua configuração atual. De acordo com registros históricos, a reconstrução foi financiada por Taira no Kiyomori, um famoso general do período Heian. Taira considerava que os seus sucessos políticos e militares se deviam à ajuda dos deuses (kami) de Itsukushima.

O pavilhão de madeira do templo Senjokaku, a Casa do Tesouro e o Museu Municipal de História e Folclore são outros pontos obrigatórios na viagem e passeios maravilhosos.
Senjokaku ou Pavilhão dos mil tatames, cuja construção original é atribuída ao xogum Toyotomi Hideyoshi (1537~1598), em 1587. 
Ao lado do pavilhão, encontra-se o magnífico pagode de cinco andares (Goju-no-to), de 1407.
 
Goju-no-to
Uma visita de 4 horas pode ser o suficiente para conhecer os pontos principais, mas o ideal é pernoitar em uma das tradicionais ryokans (estalagens típicas japonesas) da ilha.
Ryokan Iwaso
Há várias opções para matar a fome dos turistas, de comidas de rua a restaurantes mais sofisticados, que ficam dentro de ryokans. Mas a vedete de todos os cardápios é a ostra. Dizem que a temperatura do mar interior de Seto é perfeita para a cultura de ostras, que, favorecidas por esse habitat todo especial, têm um sabor único. Anualmente, no dia 11 de fevereiro, é realizado o Festival das Ostras, quando os chefs dos restaurantes das ilhas usam a imaginação e o talento ao elaborar e servir novas receitas à base de ostra.
Turistas fazem fila para provar as ostras fresquinhas
 
 Comer as ostras fresquinhas é uma experiência gastronômica e tanto!

  A ilha também tem opções para os mais consumistas. Objetos de decoração, roupas e quitutes. Dá vontade de comprar tudo!

Lojinha de sake
A colher de madeira - Shamoji - para servir arroz é um dos mais populares souvenires de Miyajima e pode ser encontrado em vários tamanhos e cores. Além do uso utilitário, servem como enfeites e até talismãs. O maior shamoji do mundo está em Miyajima: tem 7,7 m de comprimento e pesa 2,5 toneladas.
 

Para a criançada, Miyajima também é um ótimo programa. Elas vão surtar com a possibilidade de andar de bike, tocar num veadinho, correr soltas pela areia e catar conchinhas.
    Assim que a maré baixa, todo mundo corre para cotar as conchas que ficaram na areia. O jantar está garantido...
Ao percorrer cada centímetro da ilha, o turista tem a impressão de estar em outros eras, sensação que acompanha o visitante durante todo o trajeto tão bucólico do cenário da cultura japonesa.

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